Um problema de definição

Gazeta do Povo - Publicado em 03/06/2009 | Carlos Ramalhete

A diferença maior entre uma sociedade saudável e uma sociedade em franco processo de decadência é a manutenção de uma ordem relativamente conforme à natureza humana. Quando uma sociedade perde os critérios naturais, o orgulho dos homens sempre a conduz a tentativas de substituição do natural por invencionices autodestrutivas.

As raízes e seus ramos

Gazeta do Povo - Publicado em 28/10/2008 | Carlos Ramalhete

As primeiras universidades foram instituições religiosas. Do mesmo modo, os valores humanos dos laicistas mais exacerbados – como a dignidade da pessoa humana, o valor da vida ou a adesão a um código ético – são versões reduzidas e resumidas de preceitos cristãos.

Contudo, em alguns meios de intelectualidade rasa, é moda prezar os valores oriundos do cristianismo e, ao mesmo tempo, desprezar a religião que os gerou. Antes dela, na Roma pagã, por exemplo, a vida humana pouco valia: o pai tinha direito de vida e morte sobre toda a família, e no circo o “palhaço” era morto por feras. Se não fosse a ascensão do cristianismo, ainda hoje seria assim; se o cristianismo desaparecesse, os valores humanistas também desapareceriam, por falta de base. Sem sua base cristã, a única razão para aceitar estes valores é “porque sim”.

São Paulo ou “Seu” Paulo?

Gazeta do Povo - Publicado em 09/08/2009 | Carlos Ramalhete

Qual será o dano ao turismo provocado pela retirada, à moda Taleban, da imensa estátua do Cristo Redentor que ofende os não-católicos que olhem para cima na antiga capital do país?

O Ministério Público Federal (MPF) mandou tirar os crucifixos das repartições do estado de São Paulo, alegando que a sua presença ofenderia os não católicos. Mas... será que não deveríamos, então, falar do estado de “Seu” Paulo? Mais ainda, do estado do inominável, na medida em que São Paulo, em homenagem a quem o estado foi batizado, ops, nomeado, só recebeu esta homenagem por ter sido apóstolo cristão?

Campanha exagerada

Gazeta do Povo - Publicado em 04/08/2011 | Carlos Ramalhete

Para espanto de alguns, uma pesquisa indicou que a maior parte da população brasileira se manifesta contrária à confusão recentemente feita pelo Supremo entre constituir família e ter uma relação afetiva sexuada. Ora, na cultura brasileira não é polido proferir opiniões contrárias ao discurso oficialmente aceito; se 55% da população declaram formalmente sua insatisfação com algo de que só se fala bem na mídia, pode-se ter certeza de que a maioria é, na verdade, muito maior.

Apolo e Dionísio

Gazeta do Povo - Publicado em 28/07/2011 | Carlos Ramalhete

Nesta semana que passou houve duas tragédias, no sentido popular do termo: o horrendo assassinato de dezenas de pessoas, inclusive crianças, na Noruega, e a triste morte da cantora Amy Winehouse.

O que mais me chamou a atenção foi o contraste absoluto entre os assassinos, entre o norueguês apolíneo que mata crianças e a inglesa dionisíaca que mata a si mesma.

Apolo, deus do Sol, simbolizava a ordem, a razão, a clareza, mas as flechas de seu arco causavam a peste. Dionísio, deus do vinho, simbolizava a embriaguez, a entrega aos prazeres da vida, os excessos. Sob o nome de Baco, era celebrado pelos romanos nas bacanais.

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